sábado, 20 de junho de 2020

O Texto Vivo, inspirado em Mateus 14:13.

Os textos bíblicos são belos e despertam emoções. É fato que as experiências geradas através da leitura da Bíblia  podem ser provenientes da cosmovisão, ou se preferirem de cunho espiritual no sentido sobrenatural, mas também podem ser originadas  nas experiências e suas respectivas emoções através de uma leitura literária deste livro extraordinário.  As emoções geradas por uma análise literária da Bíblia, ou seja lida como uma bela história,  podem perfeitamente ser convertidas em uma nova cosmovisão e portanto em experiências  espirituais, que como já disse referem-se a algo sobrenatural. Mas para extrair de um livro um sentido é necessário dominar  a leitura, ou simplificando "saber ler". É importante salientar que o "saber ler" a que me refiro não significa entender  o conteúdo do livro de acordo com uma convenção ou de acordo com um padrão, ou seja simplesmente de forma funcional, mas sim no sentido   crítico, já que para atingir esse sentido sequer é necessário ter um conhecimento funcional da leitura, pois essa interpretação pode vir de uma oralidade isenta, contar a história sem interpretar ou direcionar, deixando que a pessoa se aproprie do sentido de forma autônoma.  A autonomia que digo é em relação aos homens que apresentam a história, pois quando se trata da Bíblia pode existir um conteúdo sobrenatural em relação ao entendimento crítico, que não pode ser confundido com controle natural, ou seja de outros homens. O entendimento crítico é capaz de gerar emoções que transformam. Como exemplo temos a passagem de Mateus em que Jesus recebe a notícia do assassinato de João Batista, seu primo terreno. Quando eu vivo a intensidade do texto, que começa na minha impressão de leitura com o medo e remorso de Herodes  que o leva  a pensar que Jesus é   João Batista ressurreto, e prossegue até chegar a Jesus, que tem sua natureza humana abalada ao  ponto de se afastar por um tempo, para orar, ou quem sabe chorar, ou até mesmo para lidar com suas incertezas humanas. Lidar com as impressões do texto de forma a extrair dele essas possibilidades, leva a emoções que eu posso sentir, ou mesmo que sinto. É uma forma de viver o texto.  Mas só vive o texto quem "sabe ler" no sentido que já expliquei. Esse vivenciamento da História só é possível através da verdade que liberta, ou da liberdade que conduz à verdade. No contexto bíblico entregar um texto "processado" para o leitor é impedir     que Cristo viva no leitor. É importante que não trato aqui de uma ajuda hermenêutica em relação ao texto, ou seja trazer ao conhecimento do leitor aspectos referentes a sociedade da época, ou mesmo elementos geográficos ou políticos, pois são indispensáveis, porém não podem ser acompanhados de imposição de sentido que levam a morte do texto.